sábado, 4 de abril de 2009

My Work ... my friends ...


Agora vamos contar as histórias do SeaWorld ...

Bom, pensei ... pensei .. no que eu deveria escrever nessa volta do blog e resolvi que não há nada mais interessante do que falar sobre o norteador desta viagem que teve como princípio básico o Work Experience. Contarei, então, do Voyager’s Pizza Restaurant que passou a ser Smoke Restaurant.

No começo não foi nada fácil, as pessoas me estranhavam e eu as estranhava mais ainda. Todas correndo na hot line, falando alto, pegando uma coisa aqui, outra lá e eu perdidinha ali no meio. Sem contar que 85% dos funcionários do restaurante erabem grandes, tanto as mulheres como os homens tinham um perfil físico XXXXXXL! E eu ali no meu era como uma mosca que caiu na sopa!

Mas, aos poucos fui pegando o jeito da coisa ... e surgiram aquelas primeiras histórias já registradas neste blog. Com o passar do tempo, eu tenho que confessar que o pessoal do Voyager’s me conquistou. Viraram uma família, não tinha mais alguém ali que me incomodava.

Óbvio que ainda tinham aquelas mal encaradas que te olhavam de cima embaixo e esbarra com tudo. Só que eu não ligava mais, porque eu já estava bem com a maioria.
Foram pessoas que me mostraram que a convivência também faz bem, pois foi no dia-após-dia que eu percebi o quanto gostava deles e o quanto eles já faziam parte da minha vida e da minha história. E por isso, reservei este espaço do blog agora para contar um pouquinho de cada um de lá, de Orlando!

Aguida ( AGÜIDA) Como ela sempre me corrigia. Essa foi uma mãezona pra mim! Haitiana, vinte e sete anos, com um filho de nove, morava há seis meses em Orlando e tinha uma felicidade no rosto sem igual. Ela entrou no Voyager’s uma semana antes de mim e foi ela quem me ensinou tudinho da hot line! Fez até chamada oral para ver se eu estava falando o nome das comidas certinho. Lembro como se fosse hoje ela me abraçando e dizendo um “congratulations girl”

No Natal, estávamos lá nós duas trabalhando e ela me convidou para passar a ceia com ela. Juro que foi um dos convites mais lindos que eu recebi. Achei de uma graça sem tamanho. Mas, infelizmente não era tão fácil assim e eu não pude ir!

A Aguida sempre estava lá a postos na hot line. Preparada para o próximo cliente e para me dar um abraço. Sempre estava e deve estar hoje, agora servindo um ribs ou um chicken e quem sabe uma pizza, se é que eles voltaram com o cardápio antigo!




Luis. Esse sim era o leader - anjo da guarda dos intercambistas. E eu adotei esse anjo com os sentimentos mais puros que eu tenho. Uma pessoa encantadora. No começo eu o via passando pelos corredores da cozinha, dos collers, mas nunca falava com ele. Até que um dia, quando a clientela começou a diminuir e consequentemente as minhas horas de serviço, o meu dinheiro e por ai adiante ... que ele apareceu.

É claro que eu fui reclamar né? Poxa, trabalhando seis horas por dia a gente não tinha direito ao ticket para almoçar e não ganhava o suficiente para pagar o housing e ainda comprar comida. E o Luis todo prestativo pegou um bloquinho de ticket, assinou, me deu e disse: “For you”. Fiquei tão feliz que instantaneamente dei um abraço nele. E a partir daí, todos os dias a gente conversava, ria, ele me ajudava quando eu não entendia nada, ou quando eu precisava de mais horas, mais tickets! Hehehe..

A gente fez uma amizade tão gostosa que até das poucas vezes que eu fiquei meio malzinha, cabisbaixa ele percebeu e veio conversar comigo ... Sempre falando baixo e andando lentamente ele vinha me dar um abraço. Que delícia!

Mickey. Ah o Mickey!! Esse era o leader mais piada!!! Quando eu ainda não o conhecia eu morria de medo dele. Achava ele bravo, sei la ... Só que esse porto-riquenho me conquistou e me fez rir muito pelo Voyager’s !

A nossa aproximação foi por causa de um interesse, da parte dele, de que eu conversasse com o líder de uma excursão de brasileiros que usava uma camiseta com o escrito “Bicho da terra”. Na hora achei estranho. “Por que o Mickey quer essa blusa? Ela não tem nada demais”. Depois eu entendi que era porque “bicho da terra” na língua dele significa ouuutraa coisa que eu nem escreverei aqui.

Fiz o que ele me pediu, afinal ele era o meu leader, e consegui trocar umas refeições no restaurante por 4 camisetas! E a partir desse dia o Mickey passou a ser uma das pessoas mais simpática e querida daquele restaurante pra mim! Ele sempre vinha me abraçar e com aquela barriga gigante me apertava até eu sufocar!!! Depois dava uma olhadinha e eu ia correndo para a hot line! Quando eu era caixa, era uma beleza! Juntava ele e o Luis na minha bancada e a gente ficava horas conversando, e rindo ... e rindo ...

Dee. A Dee era a leader, leader. Ela conseguia ser uma leader adorável, mesmo tendo que ser pulso firme com a gente! Só que não tinha ninguém ali que olhava por nós com tanto afeto e fazia de tudo para resolver os nossos problemas de horas.
Cada dia com um cabelo mais diferente e excêntrico do que o outro ela estava lá na cadeirinha do Office rindo. Uma risada boa, que não tinha como não rir junto.

Para vocês terem uma idéia de como ela era legal comigo e do quanto que eu gostava dela e do seu jeito toda vovozona (não que ela seja velha, mas por afinidade física), nem quando ela me pediu para limpar TODAS as paredes do Voyager’s com um paninho eu fiquei com raiva dela! E olha que eu fiquei horas e horas esfregando, subindo no banquinho para limpar no alto, descia do banquinho para limpar no meio, sentava no chão para limpar embaixo... e andava ...


Alexis. Essa garota tinha sangue brasileiro. Minha nossa! Toda menininha, dezenove anos e trabalhava de final de semana no restaurante. Toda vez ela vinha conversar em “português” comigo! Queria porque queria saber falar português, saber sambar, queria ser brasileira, isso sim!

Lembro do nosso pacto: Ela só podia falar em português comigo e eu só em inglês com ela!” hahaa... No fim saia sempre um inglescomportuguês tudo embaraçado que ninguém, nem eu e nem ela, entendia!

Gostavaaaa de uma conversa essa menina! Sempre no “tititititi tititititti” e sempre feliz, sempre sorrindo, nunca vou esquecer quando eu chegava no Voyager’s sábado a tarde e ela vinha toda, toda: “Olá! Como está você?”
No meu último dia de Voyager’s eu dei a minha camisa do Brasil pra ela e eu senti que foi para a pessoa certa!

Edgar. Dia trinta e um de dezembro, Ano Novo, restaurante aberto, calor, SeaWorld lotado e eu escalada para trabalhar até as 2 da manhã. Magina que eu não estava chateada e com raiva de perder a festa de todos. E como se não bastasse isso, tinham esquecido do meu break! A fome foi apertando, o restaurante lotando e ninguém se ligou que tinha uma pessoa ali que não comia há horas!!

Batata né pra eu dar aquela choradinha básica ... e foi que um cozinheiro surgiu do nada e começou a me chamar. Era ele, Edgar! “Psiu! Psiu! Vem aqui”. E na hora que eu fui na cozinha adivinhem só!! Ele tinha separado um frango à parmegiana delicioso!

Claro, devorei o filé e dei um abraço no Edgar que depois desse dia passou a fazer parte da minha vida Voyager’s e a ser um amigão.



Esses são alguns dos muitos que marcaram a minha vida ...

continuará ...


2 comentários:

RorRe SusSa disse...
Este comentário foi removido por um administrador do blog.
Tatá disse...

Que lindo amiga, chorei. Lindo demais o que vc escreveu. Tanta saudade né?... =(